domingo, 28 de agosto de 2011

Mausoléu


Mausoléu


Andrew um golpista de primeira chega a sua casa, e bem na frente dá de cara com um estranho à sua espera. O suposto homem estava bem vestido, de terno, gravata, um ótimo penteado, sapatos lustrados e um sorriso enorme estampado no rosto.
“Você não faz ideia de quem sou eu, mas eu lhe conheço bem mais do que você imagina. Meu nome é Julio e sou da policia federal”-disse o homem mostrando seu distintivo.
Andrew ficou congelado dos pés à cabeça, pois sabia que aí tinha problemas, e provavelmente seria preso. Seu último golpe foi surpreendente, ele roubou toda a grana de uma mulher casada depois de seduzi-la e jurar amor eterno. Supostamente estavam planejando em roubar o dinheiro do marido para fugirem, porém Andrew fugiu deixando-a de mãos vazias.
“Qual é o problema?”-Disse Andrew fingindo não estar nervoso.
“Não se preocupe meu senhor, não vim aqui para lhe prender, bem que poderia, pois sei muito bem que você é um golpista de primeira, pois já venho te investigando há algum tempo. Acontece que tenho planejado uma boa aposentadoria e tenho um grande plano que pode tornar os meus e os seus sonhos em realidade”-Respondeu Julio.
“Então ta, vamos entrar, assim você pode me explicar melhor o suposto plano”-Disse Andrew aliviado.
Os dois entraram na casa e Julio começou a explicar passo a passo como seria o plano. Para Andrew, algo muito simples, mas deveria acabar de vez com seus dias de trapaças, pois todo esquema envolvia muita, mas muita grana. Julio falsificaria vários documentos dentro da policia e Andrew seria um suposto bilionário que ia ao banco transferir o dinheiro para o exterior. Se tudo corresse como o planejado eles mandariam o dinheiro para várias contas em diversos países diferentes, assim seria impossível rastrearem, e os dois passariam o resto de suas vidas em férias.
Semanas depois, o momento do golpe chegou. Andrew foi ao banco e seguiu todas as instruções de Julio. Três horas mais tarde a transferência foi realizada com sucesso. Ele saiu do banco muito feliz, pois sua vida iria mudar para sempre. Entrou em seu carro e foi dirigindo em direção ao aeroporto internacional por onde escaparia para a Europa, e assim que pegasse o dinheiro iria decidir-se melhor para onde ir.
Ele parou em um semáforo, onde foi abordado por Julio. Andrew abriu a porta sem entender nada, pois supostamente Julio deveria estar esperando por ele no aeroporto.
“O Esquema já era, te pegaram e estão te procurando por tudo que é lado, você precisa se esconder Andrew, a polícia me mandou atrás de você, e eles estão espalhados pelo aeroporto”-Explicou Julio.
O coração de Andrew quase saiu pela boca, e o medo tomou conta de seu corpo trêmulo.
“Ai meu Deus, não é possível! E agora? Aonde vou me esconder? Eu não tenho para onde ir”-Disse Andrew desesperado.
“Bom comigo é que não vai ser, pois eu não vou em cana por sua culpa. Pensando bem, minha família têm um mausoléu em um pequeno cemitério a umas 4 quadras daqui, se você tiver coragem posso te levar até lá pois tenho a cópia da chave. A tumba da sala principal é grande e você pode ficar escondido quanto tempo for necessário. Isso se você não se importar em passar um tempo com meus familiares já mortos”- Disse Julio com um sorriso sombrio.
Andrew analisou a situação e concluiu que não tinha escolha.
“Acho que não tenho escolha”-Respondeu Andrew.
Eles chegaram ao pequeno cemitério em questão de minutos. Julio levou Andrew até o lugar. Chegando lá, pode ver que o mausoléu era enorme e muito bonito, deveria pertencer a uma família com muito dinheiro, pois um daqueles era muito caro. Julio abriu a porta que dava para a parte de baixo, onde os corpos ficavam armazenados em gavetas. Julio retirou o cadeado e abriu a porta.
“Entra logo! No fim do corredor tem um disjuntor onde você liga a luz, mais tarde voltarei para lhe trazer comida”-Disse Julio.
Então Andrew pegou um farolete que estava no lado da porta e foi entrando. Seu rosto estava muito suado, seu corpo estremecia. Ele não gostava daquele lugar, tinha muito medo, porém não lhe restava outra opção. Quando entrou na pequena sala, olhou para os lados e quando viu as gavetas ficou apavorado, gritou e saiu correndo em direção a porta, pois até a cadeia seria melhor que aquele lugar sombrio. Ele ficou chocado quando olhou para a porta e viu que Julio já não estava mais lá. Perto da saída a porta se fechou com força, e o eco do metal deixou Andrew atordoado por alguns segundos e quando retornou a si começou a socar a porta e chamar por Julio. O terror tinha tomado conta dele até que ele desmaiou.
Horas depois ele acordou do susto. Seu corpo estava dolorido pela queda da escada quando desmaiou. A luz que vinha do farolete agora já estava fraca e quase não iluminava mais. Andrew começou a chorar. Estava com muito medo, muita dor e muita fome. Ficou pensando se seu parceiro Julio iria voltar para ajudá-lo ou iria deixá-lo morrer ali, sozinho naquele lugar tenebroso, e ficar com todo o dinheiro. O ar da sala ficava cada vez mais pesado, ele sentia que não havia muito oxigênio restante. Andrew se levantou com certo sacrifício e começou a olhar as portas das gavetas onde estavam os corpos. Olhava o retrato e o nome. Notou que ali já tinha sido enterrada muita gente e o mausoléu era antigo. Pode notar que duas fotos em duas gavetas eram bem recentes, pois as fotos eram novas, e foi conferir. Seu grito mais uma vez tomou conta do mausoléu, o terror que tinha visto o fez cair no chão. As gavetas estavam com nome de Julio Castler e Jéssica Castler. Jéssica foi a mulher que ele roubou todo aquele dinheiro em seu último bem sucedido golpe e Julio o suposto parceiro. Andrew não imaginava que ela estava morta e ficou confuso. Ele escutou um barulho de papel quando olhou para o chão viu que estava pisando em um pedaço de jornal. Ele pegou o jornal e viu a foto de um casal e acima da foto estava escrito: “Marido mata esposa e se suicida ao saber que foi roubado”. Andrew dá outro grito maior ainda, pois naquele momento sabia que ninguém viria resgatá-lo. O golpista levou o golpe final.

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